Operação Lívia: rede que induzia jovens a suicídio é alvo
O Ministério da Justiça apresentou os resultados da Operação Lívia, que investiga organização criminosa que atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais, submetendo-as a coerção psicológica e incentivando automutilação e suicídio.
Operação Lívia combate rede que induzia jovens a suicídio na internet
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou nesta terça-feira (4) os resultados da Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab). A investigação apura uma organização criminosa que atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais, submetia vítimas a coerção psicológica e as incentivava a violência extrema contra animais, automutilação e induzimento ao suicídio. A apuração começou após o suicídio transmitido ao vivo de uma adolescente de 13 anos, no dia 22 de julho.
A live ocorreu em um grupo virtual da rede social Discord, por cerca de 45 minutos. Antes de ser induzida a tirar a própria vida em Naviraí, a 365 km de Campo Grande, a adolescente foi coagida a torturar e matar um gato, sem êxito.
O que mudou com a operação?
A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em quatro estados além do Mato Grosso do Sul: Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Entre os presos, estão cinco adolescentes, de 13 a 17 anos, e um homem de 18 anos, que usavam o Telegram. O suspeito de chefiar o grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio de Janeiro. Outro suspeito é um estudante seminarista de um mosteiro de Pernambuco.
Falhas apontadas nas plataformas
O secretário Nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, apontou descumprimento da legislação por Discord e Telegram, em relação ao ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), ao Marco Civil da Internet (Decreto 2.975/2026) e ao Decreto de Proteção de Mulheres no Ambiente Digital (nº 12.976/2026). Entre as infrações: o Discord não interrompeu a transmissão ao vivo, não removeu o conteúdo e não notificou as autoridades. Também há indícios de falhas na verificação de idade.
Investigação e próximos passos
O MJSP vai enviar pedido de investigação contra Discord e Telegram à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A polícia identificou outra vítima em outra unidade da federação e evitou um novo suicídio. Todo o material será analisado para localizar outros envolvidos. O ministro Wellington César Lima e Silva reforçou a necessidade de prevenção e vigilância ativa por parte dos pais e da sociedade.
Perguntas Frequentes
O que é a Operação Lívia?
É uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com apoio do Ciberlab, que investiga uma organização criminosa que atraía jovens para comunidades virtuais e os induzia a automutilação e suicídio.
Quem é Lívia?
Lívia é uma adolescente de 13 anos que tirou a própria vida em transmissão ao vivo, em julho, após ser coagida em um grupo do Discord.
Quais plataformas estão envolvidas?
Discord e Telegram, segundo o MJSP, com falhas apontadas no cumprimento do ECA Digital.
O que o Ministério da Justiça vai fazer?
Vai enviar pedido de investigação contra Discord e Telegram à ANPD.
Como os pais podem proteger os filhos?
O ministro recomenda atenção redobrada no contato com conteúdos online e vigilância ativa, segundo a coletiva.
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