Direito de Familia

Operação Lívia: rede que induzia jovens a suicídio é alvo

ResumoOperação Lívia, do Ministério da Justiça, desarticulou organização criminosa que atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais, submetendo-os a coerção psicológica e incentivando automutilação e suicídio. A investigação resultou em ações contra a rede, que operava em plataformas digitais. O caso expõe mecanismos de aliciamento e violência psicológica contra jovens.

O Ministério da Justiça apresentou os resultados da Operação Lívia, que investiga organização criminosa que atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais, submetendo-as a coerção psicológica e incentivando automutilação e suicídio.

Dr. Adelmo Brandão Pacheco
Por Dr. Adelmo Brandão PachecoJuiz aposentado e comentarista de processo penal
Brasília · 04 de agosto de 2026 · 3 min de leitura
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Operação Lívia combate rede que induzia jovens a suicídio na internet

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou nesta terça-feira (4) os resultados da Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul com apoio técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab). A investigação apura uma organização criminosa que atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais, submetia vítimas a coerção psicológica e as incentivava a violência extrema contra animais, automutilação e induzimento ao suicídio. A apuração começou após o suicídio transmitido ao vivo de uma adolescente de 13 anos, no dia 22 de julho.

A live ocorreu em um grupo virtual da rede social Discord, por cerca de 45 minutos. Antes de ser induzida a tirar a própria vida em Naviraí, a 365 km de Campo Grande, a adolescente foi coagida a torturar e matar um gato, sem êxito.

O que mudou com a operação?

A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em quatro estados além do Mato Grosso do Sul: Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Entre os presos, estão cinco adolescentes, de 13 a 17 anos, e um homem de 18 anos, que usavam o Telegram. O suspeito de chefiar o grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio de Janeiro. Outro suspeito é um estudante seminarista de um mosteiro de Pernambuco.

Falhas apontadas nas plataformas

O secretário Nacional de Direitos Digitais, Victor Fernandes, apontou descumprimento da legislação por Discord e Telegram, em relação ao ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), ao Marco Civil da Internet (Decreto 2.975/2026) e ao Decreto de Proteção de Mulheres no Ambiente Digital (nº 12.976/2026). Entre as infrações: o Discord não interrompeu a transmissão ao vivo, não removeu o conteúdo e não notificou as autoridades. Também há indícios de falhas na verificação de idade.

Investigação e próximos passos

O MJSP vai enviar pedido de investigação contra Discord e Telegram à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A polícia identificou outra vítima em outra unidade da federação e evitou um novo suicídio. Todo o material será analisado para localizar outros envolvidos. O ministro Wellington César Lima e Silva reforçou a necessidade de prevenção e vigilância ativa por parte dos pais e da sociedade.

Perguntas Frequentes

O que é a Operação Lívia?

É uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com apoio do Ciberlab, que investiga uma organização criminosa que atraía jovens para comunidades virtuais e os induzia a automutilação e suicídio.

Quem é Lívia?

Lívia é uma adolescente de 13 anos que tirou a própria vida em transmissão ao vivo, em julho, após ser coagida em um grupo do Discord.

Quais plataformas estão envolvidas?

Discord e Telegram, segundo o MJSP, com falhas apontadas no cumprimento do ECA Digital.

O que o Ministério da Justiça vai fazer?

Vai enviar pedido de investigação contra Discord e Telegram à ANPD.

Como os pais podem proteger os filhos?

O ministro recomenda atenção redobrada no contato com conteúdos online e vigilância ativa, segundo a coletiva.

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