Direito do Consumidor

Assinatura digital e lacração impedem alteração em sistemas eleitorais

ResumoA cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) garante a integridade das urnas eletrônicas. O processo impede qualquer modificação nos programas após a conclusão, incluindo alterações pelo próprio TSE. A assinatura digital e a lacração são etapas obrigatórias que asseguram a autenticidade e a segurança do software eleitoral.

A cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais impede qualquer alteração nos programas das urnas eletrônicas após sua conclusão. Nem o próprio TSE pode modificar os sistemas. Entenda o processo.

Tâmara Quintanilha
Por Tâmara QuintanilhaRepórter de segurança pública e justiça
Brasília · 05 de agosto de 2026 · 4 min de leitura
PM relata ao STF falha de sinal da tornozeleira de Bolsonaro

Assinatura digital e lacração impedem alteração em sistemas eleitorais

A cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais impede qualquer alteração nos programas que operam as urnas eletrônicas após sua conclusão. Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Júlio Valente, nem o próprio tribunal pode modificar os sistemas depois dessa etapa. Qualquer mudança só seria possível mediante uma nova cerimônia pública, com a participação das entidades responsáveis pela fiscalização de todo o processo eleitoral.

Como funciona a cerimônia de assinatura digital e lacração

A cerimônia, realizada entre agosto e setembro, marca o encerramento do desenvolvimento dos sistemas utilizados nas eleições. Instituições fiscalizadoras e o presidente da Corte assinam digitalmente os programas, tornando-os definitivos. A partir desse momento, os sistemas estão encerrados, finalizados, e nada mais pode mudar.

"Nesse momento, os sistemas estão encerrados, são finalizados, nada mais pode mudar. Depois dessa assinatura, mesmo que a Justiça Eleitoral deseje, mesmo que o TSE queira, não é mais possível mexer nos sistemas", afirmou o secretário.

Por que a lacração impede alterações

O objetivo da etapa é garantir que os programas utilizados nas urnas permaneçam exatamente os mesmos até o dia da votação. Não é possível nenhuma modificação, nem interna, nem externa, a não ser que todos sejam chamados novamente para uma nova cerimônia de assinatura digital e lacração.

Essa proteção é acompanhada por procedimentos de conferência ao longo de toda a preparação das eleições. Na fase de geração das mídias e preparação das urnas, partidos políticos e demais entidades fiscalizadoras podem verificar se os programas instalados correspondem aos sistemas previamente lacrados.

Conferência nas seções eleitorais

A conferência também ocorre nas seções eleitorais, antes do início da votação, quando o juiz eleitoral verifica a autenticidade do software instalado em cada equipamento. Procedimentos semelhantes são realizados nos equipamentos responsáveis pela transmissão dos boletins de urna e nos sistemas instalados no próprio TSE.

Teste de Integridade das urnas eletrônicas

Outro mecanismo de auditoria destacado pelo secretário é o Teste de Integridade das urnas eletrônicas, realizado desde 2002. Na véspera da eleição, centenas de urnas são sorteadas em evento público e retiradas das seções eleitorais para participação no teste.

No dia da votação, esses equipamentos recebem votos simulados em ambiente controlado, enquanto uma empresa de auditoria acompanha todo o procedimento. Ao final da simulação, o resultado produzido pelas urnas é comparado com os votos previamente registrados pela equipe responsável pelo teste.

Segundo Valente, em mais de duas décadas de realização desse procedimento, nunca foi identificada divergência entre os votos inseridos e os resultados apresentados pelas urnas. "O teste confirma a higidez do processo eleitoral informatizado brasileiro", afirmou.

O que acontece se houver tentativa de alteração?

Qualquer tentativa de modificar os sistemas após a lacração exigiria a convocação de uma nova cerimônia pública. Isso significa que, mesmo que houvesse um desejo interno de alteração, o processo não poderia ser feito de forma silenciosa. A necessidade de reunir novamente todas as entidades fiscalizadoras torna a mudança transparente e sujeita a escrutínio público.

A transparência como pilar da segurança eleitoral

A combinação da assinatura digital, da lacração e dos testes de integridade forma um conjunto de mecanismos que busca garantir a confiabilidade do processo eleitoral. A participação de partidos e entidades fiscalizadoras em todas as etapas, desde a cerimônia até o dia da votação, reforça o caráter público e auditável do sistema.

Para quem acompanha o processo eleitoral, saber que os sistemas são lacrados e que qualquer alteração exigiria uma nova cerimônia pública traz previsibilidade. A conferência nas seções eleitorais e o Teste de Integridade são camadas adicionais de verificação que permitem detectar qualquer divergência.

Perguntas Frequentes

O que impede a alteração dos sistemas eleitorais após a lacração?

A assinatura digital e a lacração tornam os sistemas definitivos. Após essa etapa, nem o TSE pode modificar os programas, e qualquer mudança exigiria nova cerimônia pública com as entidades fiscalizadoras.

Quem participa da cerimônia de assinatura digital?

Participam instituições fiscalizadoras e o presidente da Corte, que assinam digitalmente os programas. O secretário de TI do TSE, Júlio Valente, explica que a cerimônia marca o encerramento do desenvolvimento dos sistemas.

Como é feito o Teste de Integridade das urnas?

Na véspera da eleição, urnas são sorteadas em evento público. No dia da votação, recebem votos simulados em ambiente controlado, com acompanhamento de empresa de auditoria. O resultado é comparado com os votos registrados.

Desde quando o Teste de Integridade é realizado?

O Teste de Integridade é realizado desde 2002. Em mais de duas décadas, nunca foi identificada divergência entre os votos inseridos e os resultados apresentados pelas urnas.

Onde o eleitor pode verificar a autenticidade do software?

Nas seções eleitorais, antes do início da votação, o juiz eleitoral verifica a autenticidade do software instalado em cada equipamento. Partidos e entidades fiscalizadoras também podem conferir os programas na fase de geração das mídias.

segurança das urnas eletrônicas como funciona a votação eletrônica no Brasil transparência no processo eleitoral

Leia também

Publicidade