Direito do Consumidor

STF julga validade da Lei das Contravenções Penais

ResumoO Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a recepção da Lei das Contravenções Penais (Decreto-Lei 3.688/1941) pela Constituição de 1988. O julgamento, iniciado em 2024, discute a validade da norma após condenação de um homem por posse de caça-níqueis. A decisão definirá se a lei, vigente há mais de 80 anos, permanece constitucional.

O STF começou a julgar a validade da Lei das Contravenções Penais, vigente desde 1941. O caso envolve um homem condenado por posse de caça-níqueis e discute a recepção da lei pela Constituição de 1988.

Sun-hee Vasconcelos Lima
Por Sun-hee Vasconcelos LimaDefensora pública e colunista de direitos humanos
Brasília · 05 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
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STF inicia julgamento sobre validade da Lei das Contravenções Penais

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar nesta quarta-feira (5) a constitucionalidade da Lei das Contravenções Penais, que está vigente no país desde 1941, quando foi assinada pelo então presidente da República, Getúlio Vargas. O caso chegou ao Supremo por meio de um recurso do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) contra decisão da Justiça estadual. A instância inferior considerou que a lei não foi recepcionada pela Constituição de 1988.

Na sessão desta quarta, o plenário ouviu as sustentações orais das partes envolvidas no processo e a primeira parte do voto do relator, o ministro Luiz Fux. O julgamento será retomado nesta quinta-feira (6).

O caso concreto: caça-níqueis em estabelecimento comercial

O caso concreto trata de um homem condenado por possuir três máquinas caça-níqueis em seu estabelecimento comercial. A discussão central está no Artigo 50 da lei, que definiu como contravenção penal a exploração de jogos de azar em local público, como caça-níqueis. A norma também prevê multa de R$ 2 mil e R$ 200 mil para quem participa do jogo na condição de apostador.

Para as famílias que acompanham o desenrolar de um processo penal, a decisão do STF pode ter impacto direto. A pena tem limite, e esse limite é a lei. Quando a lei é questionada, o que está em jogo é a própria segurança jurídica de quem responde a um processo.

O voto do relator: equilíbrio entre direitos do cidadão e direito penal

No início de seu voto, Luiz Fux disse que o caso trata da preservação do equilíbrio entre os direitos do cidadão e a aplicação do direito penal.

"Não estamos tratando de apostadores. A relevância da questão é sobre a eficácia da recepção ou não em relação à tipicidade da exploração ou não de jogos de azar", afirmou.

Essa distinção é relevante. O julgamento não discute a conduta de quem aposta, mas sim se a lei de 1941 continua válida diante da Constituição de 1988. Para quem atua na defesa de pessoas em situação de vulnerabilidade, essa é uma distinção que muda tudo.

A posição do Ministério Público e da PGR

Durante o julgamento, a procuradora do MPRS Flávia Raphael Mallmann disse que há interesse público no combate à exploração dos jogos de azar. A procuradora também destacou os efeitos nocivos dos jogos, como o superendividamento e o vício em apostas.

"Os argumentos apresentados pelo Ministério Público revelam-se ainda mais consistentes diante da evolução do conhecimento científico acerca dos impactos sociais, econômicos e sanitários decorrentes da exploração indiscriminada dos jogos de azar".

Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também defendeu a aplicação de lei e disse que a punição pela exploração de jogos ilegais de azar deve ser mantida após a criação das normas que autorizaram o funcionamento das apostas-on-line (bets).

"Esse artigo é importante para coibir atividades que não são autorizadas", completou.

Aqui, nós precisamos olhar com atenção. O advento das bets não revogou automaticamente a Lei das Contravenções Penais. A leitura do PGR é de que a norma segue necessária para punir quem explora jogos sem autorização.

O que está em jogo: recepção pela Constituição de 1988

A pergunta que o STF precisa responder é se a Lei das Contravenções Penais, editada em 1941, foi recepcionada pela Constituição de 1988. A instância inferior entendeu que não. Se o Supremo mantiver esse entendimento, a lei perde a validade para os casos futuros.

Para quem tem um familiar respondendo a um processo por contravenção penal, essa discussão pode parecer distante. Mas ela não é. A decisão pode afetar processos em andamento e até condenações já transitadas em julgado, dependendo do que o plenário decidir.

Acesso à justiça começa pela informação. Saber o que está sendo discutido no STF é o primeiro passo para entender quais direitos podem ser afetados.

Próximos passos do julgamento

O julgamento será retomado nesta quinta-feira (6), com a continuação do voto do relator e, em seguida, os votos dos demais ministros. Não há prazo definido para a conclusão.

Enquanto isso, é importante que as famílias acompanhem os canais oficiais do STF e busquem orientação jurídica adequada. A Defensoria Pública é o caminho para quem não tem condições de pagar um advogado. Defensoria Pública e assistência judiciária gratuita

A pena tem limite, e esse limite é a lei. Quando a lei é questionada, o limite também fica em suspenso. progressão de regime e direitos do preso

Perguntas Frequentes

O que é a Lei das Contravenções Penais?

É uma lei de 1941, assinada pelo então presidente Getúlio Vargas, que define contravenções penais, como a exploração de jogos de azar. Ela está vigente desde então e agora tem sua constitucionalidade discutida no STF.

O que é contravenção penal?

É uma infração de menor potencial ofensivo, mas que ainda assim pode gerar pena de prisão ou multa. A exploração de jogos de azar em local público é uma contravenção prevista no Artigo 50 da lei.

O que acontece se o STF declarar a lei inconstitucional?

A lei deixa de valer para o futuro. Processos em andamento e condenações podem ser afetados, dependendo da decisão do plenário e dos efeitos que o tribunal definir.

Quem é o relator do caso?

O relator é o ministro Luiz Fux, que apresentou a primeira parte do seu voto na sessão desta quarta-feira (5).

O que são as bets e como se relacionam com o julgamento?

As bets são apostas online autorizadas por lei. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que o Artigo 50 da Lei das Contravenções Penais deve ser mantido para coibir atividades não autorizadas, mesmo com a existência das bets.

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