CNJ afasta ex-juíza da Lava Jato por dois anos
O CNJ decidiu afastar a ex-juíza Gabriela Hardt por dois anos, com vencimentos proporcionais, em processo administrativo disciplinar. Entenda o caso e suas implicações.
CNJ afasta ex-juíza da Lava Jato por dois anos
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu a juíza Gabriela Hardt com o afastamento do cargo por dois anos. A decisão, tomada nesta terça-feira (4), atinge a magistrada que ficou conhecida como substituta do ex-juiz Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba, onde atuava nas investigações da Operação Lava Jato.
O que mudou: a pena é de disponibilidade com vencimentos proporcionais, ou seja, a juíza fica afastada e recebe salário reduzido. Atualmente, Gabriela é juíza substituta na 23ª Vara Federal em Curitiba.
Por que o CNJ puniu Gabriela Hardt?
A punição veio de um processo administrativo disciplinar. O CNJ entendeu que a magistrada deixou de adotar cuidados mínimos ao autorizar repasses para uma fundação privada que seria responsável pela gestão de recursos.
O caso envolve a homologação, em 2019, de um acordo entre a Força-Tarefa da Lava Jato e a Petrobras. O acordo previa o repasse de R$ 2 bilhões a uma fundação de interesse social para combater a corrupção. O fundo seria gerido por integrantes da força-tarefa. Ficou conhecido como Fundação Dallagnol, em referência ao então chefe do grupo, o ex-procurador Deltan Dallagnol.
O que disse o relator e o presidente do CNJ
Por maioria, o plenário acompanhou o voto do conselheiro Rodrigo Badaró, relator do caso. O último a votar, o presidente do CNJ e do STF, Edson Fachin, enalteceu o trabalho da Lava Jato no combate à corrupção, mas ponderou: "os fins não justificam os meios".
"Não está em discussão a grossa corrupção que houve e foi apurada pela Operação Lava Jato. Mas, o que está em discussão é que não se combate irregularidade cometendo irregularidade", afirmou Fachin.
A defesa da magistrada
A advogada Ana Luísa Vogado de Oliveira sustentou que a juíza não praticou irregularidades. Para ela, Gabriela entendeu que o Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba e a Petrobras tinham legitimidade para assinar o acordo.
"A magistrada não foi motivada por vieses, por interesses. Essa magistrada ama a invisibilidade, ela defende que o juiz não tem que aparecer", argumentou a advogada. Ela acrescentou que "erro nos autos se combate com mecanismos e os recursos próprios".
O que aconteceu com o acordo em 2019
A homologação do acordo foi suspensa em 2019 pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Perguntas Frequentes
Gabriela Hardt foi demitida?
Não. O CNJ aplicou a pena de disponibilidade com vencimentos proporcionais, ou seja, afastamento por dois anos com salário reduzido.
Ela ainda é juíza?
Sim, mas afastada. Atualmente, Gabriela é juíza substituta na 23ª Vara Federal em Curitiba.
O que é a Fundação Dallagnol?
É como ficou conhecido o fundo que receberia R$ 2 bilhões do acordo entre a Lava Jato e a Petrobras, gerido por integrantes da força-tarefa.
Quem votou contra o afastamento?
A fonte não informa quem votou contra. O plenário acompanhou o voto do relator Rodrigo Badaró por maioria.
A decisão é definitiva?
A fonte não informa se cabe recurso. A decisão foi tomada pelo plenário do CNJ.
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