Direito do Trabalhador

Dino aponta indícios de liderança de Mário Frias em desvio de emendas

ResumoFlávio Dino, ministro do STF, apontou indícios de que o deputado federal Mário Frias teve papel de liderança em suposto esquema de desvio de emendas parlamentares para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A manifestação ocorreu no âmbito de investigação relatada por Dino na corte.

Relator no STF, Flávio Dino afirmou haver indícios de papel de liderança do deputado Mário Frias em suposto esquema de desvio de emendas parlamentares destinado a financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Dr. Adelmo Brandão Pacheco
Por Dr. Adelmo Brandão PachecoJuiz aposentado e comentarista de processo penal
Brasília · 14 de setembro de 2026 · 3 min de leitura
Dino aponta indícios de liderança de Mário Frias em desvio de emendas

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino afirmou haver indícios de um papel de liderança do deputado federal Mário Frias em suposto esquema criminoso de desvio de emendas parlamentares. O objetivo seria financiar o filme Dark Horse, dramatização da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A conclusão consta de despacho publicado neste domingo (13). Dino é relator de investigação sobre supostas irregularidades na execução de emendas parlamentares e recebeu informações da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Foro Central Criminal Barra Funda, em São Paulo. Foram esses dados da Justiça paulista que o levaram a apontar protagonismo do deputado no esquema.

No texto, o ministro escreveu que "há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mário Frias, que, no terreno hipotético da investigação, ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa". O trecho foi publicado no domingo.

Na quinta-feira (10), Dino autorizou a Operação Make Up, na qual a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. Entre os alvos estavam o próprio Mário Frias, ex-secretário da Cultura do governo Jair Bolsonaro e um dos roteiristas do filme, e a empresária Karina Gama.

Relatórios da Controladoria-Geral da União apontaram irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas de Frias para duas entidades registradas em nome de Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura.

Procurada, a prefeitura de São Paulo afirmou que não há irregularidade nos serviços prestados pelo Instituto Conhecer Brasil. Segundo o município, o Programa WiFi Livre "segue em pleno funcionamento na cidade com 3,2 mil pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados". A administração acrescentou que o serviço contratado foi prestado e que a parceria passa por prestações de contas semestrais, período mais rigoroso que o mínimo legal, e que as movimentações financeiras da entidade não integram a relação contratual com o município.

No mesmo despacho, Dino afirmou haver ligação entre desvio de dinheiro de emendas parlamentares e organizações vinculadas à facção Primeiro Comando da Capital. Segundo o ministro, o material recebido da Justiça de São Paulo indica um esquema de corrupção com vínculos com o PCC. "No curso da investigação se fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos, com destaque para emendas parlamentares federais e para a prefeitura de São Paulo", escreveu.

A Agência Brasil procurou a assessoria do deputado Mário Frias e não recebeu resposta até a publicação do texto.

Aqui, como juiz aposentado, prefiro olhar para o que sustenta a decisão, não para o que ela anuncia. O despacho de Dino fala em terreno hipotético e em indícios, e essa escolha de palavras não é retórica: é o que separa uma investigação de uma condenação. Em recurso, o que costuma derrubar um ato assim é a fragilidade da cadeia de fundamentação, não o nome citado. A dúvida razoável tem dono, e esse dono é o réu.

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